sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Biologia Evolutiva


Biologia Evolutiva é o estudo da história da vida e dos processos que levam à sua diversidade. Baseada nos princípios da adaptação, no acaso e na história, a Biologia Evolutiva procura explicar todas as características dos organismos, ocupando por isso uma posição central dentro das ciências biológicas.
O século vinte e um será o “Século da Biologia”. Impulsionadas por uma convergência
de preocupações públicas em aceleração, as ciências biológicas serão convocadas cada
vez mais para tratar de questões vitais para o nosso bem-estar futuro: ameaças à qualidade ambiental, necessidades de produção de alimentos devido a pressões populacionais, novos perigos para a saúde humana gerados pelo aparecimento de resistência a antibióticos e de novas doenças, e a explosão de novas tecnologias na biotecnologia e na computação.
A Biologia Evolutiva em particular está destinada a prestar contribuições muito significativas. Ela contribuirá diretamente para desafios prementes da sociedade, bem como para informar e acelerar outras disciplinas biológicas.A Biologia Evolutiva estabeleceu de forma inequívoca que todos os organismos evoluíram a partir de um ancestral comum, no decorrer dos últimos 3,5 bilhões de anos; documentou muitos acontecimentos específicos da história da evolução; e desenvolveu uma teoria muito bem validada sobre os mecanismos genéticos, ecológicos e de desenvolvimento das mudanças evolutivas. Os métodos, conceitos e perspectivas da Biologia Evolutiva
deram e continuarão dando importantes contribuições a outras disciplinas biológicas, tais como a Biologia Molecular e do Desenvolvimento, a Fisiologia e a Ecologia, bem como a outras ciências básicas como Psicologia, Antropologia e Informática.
A fim de que a Biologia Evolutiva realize todo o seu potencial, os biólogos devem
integrar os métodos e resultados da pesquisa em Evolução com aqueles de outras disciplinas,tanto dentro como fora da Biologia.

sábado, 4 de outubro de 2008

Bioinvasão


Um dos elementos críticos na globalização da economia é o movimento de organismos nocivos ou de Espécies Invasoras Exóticas (EIE), de uma região para outra, em função do comércio, transporte, trânsito e turismo. Bioinvasão ou bioglobalização de pragas refere-se, portanto, ao deslocamento de organismos vivos de uma região para outra, inadvertida ou intencionalmente, podendo resultar em prejuízos incalculáveis nos âmbitos ambiental, econômico, social e cultural. O termo “bioinvasão” é também utilizado para explicar a introdução e ou dispersão de pragas ao redor do mundo.

A definição de EIE para a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e a definição de pragas quarentenárias no âmbito da Convenção Internacional de Proteção dos Vegetais (CIPV) são comparáveis e se relacionam às mesmas ameaças. Ambas as definições envolvem qualquer organismo que causa danos a plantas e cuja introdução e ou dispersão ameaça a diversidade biológica, resultando ou não em impacto socioecnonômico e ambiental. Pode-se argumentar que a maioria das pragas quarentenárias constitui uma EIE e que essas espécies que causam injúrias diretas ou indiretas para plantas são pragas quarentenárias.

Na área vegetal, o termo praga é utilizado no sentido amplo da palavra, conforme a definição da CIPV, envolvendo os ácaros, insetos, fungos, bactérias, vírus, viróides, fitoplasmas, nematóides, plantas infestantes ou qualquer outro organismo capaz de causar danos aos vegetais e seus produtos. No entanto, as áreas de saúde humana e animal, utilizam à terminologia doença ou enfermidade ou epidemiologia para se referir aos organismos que causam efeitos deletérios a pessoas e animais.

Um exemplo clássico do efeito de uma bioinvasão na agricultura é o da batata (Solanum tuberosum) que foi introduzida na Irlanda entre os séculos XVI e XVII, tornando-se o alimento básico de mais de três milhões de pessoas. Nos Estados Unidos da América (EUA), esse tubérculo também passou a ser utilizado na alimentação dos colonizadores vindos da Europa. Em 1843, o fungo P. infestans foi relatado nos EUA ocorrendo em batata e em 1845 foi introduzido na Irlanda. Nos EUA, os problemas advindos da introdução e dispersão do fungo foram menores, por disporem, naquele país, de uma maior variedade de produtos para alimentação. Entretanto, na Irlanda, os seus efeitos foram devastadores. Entre 1846 e 1850 ocorreu a “grande fome”, levando à imigração de mais de 1,5 milhões de pessoas para a América do Norte e Austrália e a morte de milhares de outras. Até os dias de hoje a Irlanda padece dos efeitos devastadores causados pela requeima da batata, que provocou a imigração da maioria da população para outras regiões do mundo. No processo da bioinvasão, dificilmente a praga será erradicada e dessa forma poderá provocar uma nova epidemia, como a que ocorreu com o fungo da batata 150 anos após a fome irlandesa. Perdas provocadas pelo fungo em cultivos de batata surgiram novamente no início da década de 1980, primeiramente na Europa e, em seguida, no Oriente Médio, países asiáticos, Canadá e Estados Unidos.

(Texto extraído do livro: OLIVEIRA, M. R. V. et al. Segurança biológica para o agronegócio e meio ambiente. Brasília (DF). Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. 2006. CD ROM. 293p.)

sábado, 20 de setembro de 2008

O eneb acabou


Chega o último dia do XXIX Eneb( Encontro Nacional dos Estudantes de Biologia), cujo tema era :valoriz(ação) da educ(ação) para a trans[form(ação)] DE 1/2 ambiente por inteiro.
A Universidade Estadual do Maranhão -UEMA presenciou a união de estudantes de várias lugares diferentes unidos por mesmo propósito:uma análise do processo de desmonte da educaçăo pública brasileira causada por sucessivas políticas públicas adotadas pelos governos e como as sucessivas medidas governamentais tem contribuído para o processo de degradaçăo e privatizaçăo dos recursos naturais do nosso país. Além disso, analisar também minuciosamente as políticas públicas implementadas pelos governos e seus “parceiros” na busca de um “desenvolvimento sustentável.
Assim, durante uma semana a Universidade Estadual do Maranhão foi infestada por formigas( nós estudantes de Biologia) que mobilizadas em conjunto desenvoleram um grande formigueiro em São Luís, rasgando véus, abrindo as mentes e transformando futuros biológos.Nesse processo o Eneb nos levou a refletir ,como nós estudantes de biologia, podemos somar forças com outras organizaçőes da sociedade pra lutar contra esse cenário.

sábado, 6 de setembro de 2008

XXIX ENEB: VALORIZ(AÇÃO) DA EDUC(AÇÃO) PARA A TRANS[FORM(AÇÃO)] DE 1/2 AMBIENTE POR INTEIRO

A temática do ENEB vai girar em torno de como as políticas públicas atuais destroem a educaçăo e o meio ambiente. A proposta é que se faça uma análise do processo de desmonte da educaçăo pública brasileira causada por sucessivas políticas públicas adotadas pelos governos. Tais políticas atendem a interesses do capital internacional que utilizam a educaçăo como mais uma fonte de lucros, transformando-a em mercadoria, cujo principal alvo tem sido a educaçăo superior, na qual a iniciativa privada tem sido a grande beneficiada e em contrapartida o ensino superior público vem sendo alvo de ataques, a exemplo do recente projeto e as reestruturaçőes implementadas por meio da Reforma Universitária. Além disso, pretende-se levantar a discussăo em torno da proposta de educaçăo dos Movimentos Sociais, constituído por sindicato de trabalhadores, associaçăo de professores, movimento dos trabalhadores sem terra, entidades estudantis, dentre outros que tem o intuito de defender o caráter público, gratuito, de qualidade e socialmente referenciado da educaçăo, bem como debater a importância da mesma pra construçăo de um modelo de sociedade que năo esteja fadada a se autodestruir.
Uma outra análise a ser feita durante o encontro é de como as sucessivas medidas governamentais tem contribuído para o processo de degradaçăo e privatizaçăo dos recursos naturais do nosso país. Além disso, analisar também minuciosamente as políticas públicas implementadas pelos governos e seus “parceiros” na busca de um “desenvolvimento sustentável”, dentre elas: PNF (Plano Nacional de Florestas), Projeto de Transposiçăo do rio Săo Francisco, Lei de Biossegurança, desmembramento do IBAMA e formaçăo do Instituto Chico Mendes, loteamento da Amazônia, as açőes do PAC (Programa de Aceleraçăo do Crescimento) e seus impactos sobre a fauna e flora brasileira com a demarcaçăo de reservas para construçăo de rodovias e etc. Nesse processo pretendemos refletir como nós estudantes de biologia podemos somar forças com outras organizaçőes da sociedade pra lutar contra esse cenário.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Biossegurança



Que os riscos inerentes à profissão do biólogo?
Durante o cotidiano do biólogo,várias atividades são exercidas:captura de animais, coleta de vegetais,manuseio de microrganismos,manipulações genéticas produzindo
organismos modificados etc.
Desde 1941 os riscos das atividades biomédicas estão sendo identificados e estudados. Podemos identificar quatro tipos diferentes: o primeiro é o risco biológico que corresponde ao perigo de haver alguma contaminação na execução de
algum procedimento; o segundo é o risco físico, ou seja, perigo de que o
profissional sofra cortes, choques elétricos, queimaduras; o risco químico
cerca os profissionais que trabalham com compostos químicos e estã expostos ao risco de intoxicações ou queimaduras; o biólogo também pode
sofrer danos psicofisiológicos, por
estar exposto ao risco ergonômico,
causado pelo exercício de atividades
repetitivas, monótonas ou até mesmo
por sentar em postura inadequada ao
microscópio ou computador, por
exemplo.
As atividades da profissão podem também expor a comunidade aosriscos, causar danos
ao meio ambiente e comprometer a qualidade dos resultados dos trabalhos.

O podemos definir como Biossegurança?
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) afirma que: “Biossegurança é a ciência voltada para o controle e minimização de riscos advindos da prática de diferentes tecnologias em laboratório ou aplicadas ao meio ambiente, assegurando o avanço dos processos tecnológicos e protegendo a saúde humana, animal e o meio ambiente.
Mais restrita, a legislação brasileira (lei nº 11.105, de 24 de março de 2005) trata a biossegurança apenas relacionada às atividades de pesquisa que envolvam a obtenção e manipulaçãodeorganismos geneticamente modificados e de células-tronco que foram obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização e não chegaram a ser aproveitados.
De acordo com a lei de março de 2005, toda instituição que utilizar técnicas e métodos de engenharia genética ou realizar pesquisas com organismosgeneticamente modificados e seus derivados deverácriar uma Comissão Interna de Biosseguranç (CIBio) além de indicar um técnico principal responsável para cada projeto específico.

Como o Biológo pode adquirir a formação na área de Biossegurança?
No Brasil os cursos formais em biossegurança ainda são escassos, existem somente alguns cursos de especialização. Já há discussão sobre a inclusão da biossegurança como disciplina em cursos de Graduação e Pós-Graduação. Na prática atual, os temas estão sendo trabalhados em algumas disciplinas informalmente.
No Nordeste, existem, em fase de implantação, três laboratórios de nível 3 de Biossegurança, vol4tados para a manipulação de agent4es patogênicos nos estados de Pernambuco, Ceará e Bahia, com grupos de multiplicadores capacitados na área.
Para os que pretendem se
aprofundar na área existe a ANBio( Associação Nacional de Biossegurança) que realiza cursos em áreas temáticas específicas da Biossegurança. Há também os congressos nacionais de biossegurança e uma vasta bibliografia a ser consultada.

domingo, 10 de agosto de 2008

CARTEIRA E IDENTIDADE PROFISSIONAL PARA QUE SERVE?



Os avanços obtidos por cada grupo profissional começam, sobretudo, pela tomada de
uma consciência de classe.
Apenas a organização, a regulamentação e o empenho coletivo garantem espaço em uma
realidade de mercado tão competitivo, em um sistema social complexo e exigente.
Daí a razão primeira para que cada biólogo tenha suas carteira e cédula profissional, além da necessidade das mesmas para várias atividades, tais como a participação em concursos públicos.
A Lei 6.684/79 de 03 de setembro de 1979 cita em seu Art. 22, Parágrafo único:
“A inscrição em concurso público dependerá da prévia apresentação da Carteira Profissional ou Certidão do Conselho Regional de que o profissional está no exercício dos seus direitos”. Desta forma, os editais de concursos de pessoas jurídicas de caráter público devem incluir essa prerrogativa, sob penalidade de responderem ao ato juridicamente.Mas é ainda na Carteira Profissional que são anotados os registros provisórios, transferências,a certificação de especialista emitido pelo Conselho e os impedimentos ético-disciplinares.
A Carteira e a Cédula de Identidade Profissional são emitidas pelos Conselhos Regionais no momento da inscrição do profissional, com base em modelos regulamentados, confeccionados e emitidos pelo Conselho Federal de Biologia, conforme o art 11, da Lei 6.684/79. Para o registro provisório, será emitida apenas a Cédula de Identidade Profissional, sendo a Carteira Profissional emitida quando da efetivação da inscrição definitiva. Para emissão desses documentos são
cobradas taxas determinadas pelo Conselho Federal de Biologia, conforme Art. 31, do Decreto n. 88.438 de 28 de junho de 1983. No caso de licença ou cancelamento do
registro profissional, o biólogo deverá devolver estes documentos ao Conselho Regional de Biologia de sua jurisdição.
A Carteira e a Cédula de Identidade Profissional tem ainda valor como documento de identificação como pessoa física, inclusive contém os números de Registro Geral e CPF. Mas este é apenas o aspecto legal. Precisamos respeitar e nos orgulhar de nossa Carteira e Cédula de Identidade Profissional. Nelas está resumido todo o nosso esforço e empenho para a obtenção de um diploma de nível superior. Uma profissão. E ainda regulamentada.
Precisamos exibi - la, divulgá- la. Divulgaremos então nossa profissão para a Sociedade, mostrando que estamos respaldados legalmente a dar as respostas aos anseios de um mundo melhor. Pense nisso e se policie a cada dia. Use sua Cédula de Identificação Profissional nos bancos, nos caixas dos supermercados e nos estabelecimentos comerciais em geral. Use e abuse. Comcompetência na cabeça e orgulho no peito.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

A fronteira final



Para cada espécie conhecida na natureza existem
nove outras ainda a ser descobertas. Destruí-las
é queimar um tesouro sem saber seu valor

O assunto meio ambiente desperta preocupação em todo o planeta faz já uns trinta anos, período em que sua compreensão científica cresceu muito, alguns problemas foram atacados em vários níveis e outros novos puderam ser detectados. Assim, vale a pena darmos um giro sobre nossa maneira de ver o mundo natural.

A natureza é composta de um vasto conjunto de organismos de espécies bem definidas, variedade essa a que se dá o nome coletivo de diversidade biológica. É um termo novo, cunhado 22 anos atrás, e sua forma abreviada, biodiversidade, foi usada pela primeira vez há apenas quinze anos. Apesar de recente, a expressão foi reconhecida pela Convenção sobre Diversidade Biológica, nascida no encontro mundial da Eco 92. Engloba a diversidade do mundo natural, do gene às espécies e aos ecossistemas. Ainda me lembro de um almoço no fim dos anos 70 com o professor Edward Wilson, da Universidade Harvard, o cientista reconhecidamente mais dedicado ao tema na época. Falávamos do assunto com desenvoltura, mas não tínhamos um nome específico para definir esse universo das coisas vivas.

Nossa compreensão do que é diversidade biológica mudou dramaticamente nas últimas décadas. Em meus tempos de estudante, a velha "árvore da vida" que ficava pendurada na sala de aula era formada apenas por dois troncos robustos, um das plantas, outro dos animais, com alguns organismos unicelulares na base. Não é mais assim. Agora, parece um arbusto baixote e esparramado, as plantas e os animais reduzidos a dois raminhos que surgem no lado direito. A maior parte do restante é formada por microrganismos, muitos com apetite e metabolismo estranhos, herdados das condições existentes nos primórdios da história da vida no planeta Terra.

É surpreendente descobrir quão ínfima é a parcela do conhecimento científico sobre a vida na Terra. Os cientistas não sabem dizer de forma conclusiva quantas espécies existem. O total pode ser de 10 milhões. Mas o número de espécies, em algumas avaliações, chegaria a 100 milhões. Desse total, só estão descritas e reconhecidas pela ciência entre 1,5 milhão e 1,8 milhão de espécies. Isso nos leva à espetacular conclusão de que mais de 95% de todos os seres vivos ainda estão por ser descobertos. Qualquer que seja a estimativa que aceitemos sobre o número total de espécies, fica evidente que o desconhecido é muito maior que o conhecido. Soa estranho, mas o processo de catalogação da vida na Terra tem sido até agora lento, árduo, com base não muito sólida. Embora seja assunto de interesse de cada nação do planeta, é também um caso de colaboração internacional. País nenhum tem coleções científicas naturais vastas o suficiente para analisar nem os pesquisadores necessários para o trabalho de campo. A colaboração é seriamente prejudicada quando a preocupação com biopirataria se transforma em bioparanóia.

Uma iniciativa recente e ousada, o ALL Species Project (Projeto TODAS as Espécies), foi realizada para resolver esse grave déficit de conhecimento. É um plano que pretende descrever todas as formas de vida no planeta nos próximos 25 anos. Primeiro, haverá um encontro de cientistas dos países com megadiversidade (o Brasil é o número 1 do mundo nesse aspecto), depois uma conferência em Harvard sobre o assunto. Será uma grande aventura científica e renderá dividendos mais imediatos aos humanos do que levar um homem à Lua. Quando o projeto estiver concluído, entenderemos os delineamentos da vida na Terra e começaremos a perceber quanto ela é importante para nosso dia-a-dia.

Os grandes avanços da ciência e da tecnologia nos últimos tempos podem dar a impressão de que a natureza não é tão importante assim para a humanidade. Na verdade, descobre-se exatamente o contrário ao conhecer melhor o que a natureza faz e pode fazer pelos povos. Por exemplo, a enzima de uma bactéria numa fonte de água termal no parque nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos, foi o que tornou possível o Projeto Genoma Humano, com todo o seu inestimável valor para a compreensão do bem-estar, da produtividade e da saúde humana. Um novo grupo de compostos provenientes de uma obscura reunião de organismos conhecida como slime molds, ou limo de mofo, é o primeiro a mostrar eficiência no controle de certos tipos de câncer resistentes ao taxol. Este último é uma molécula do teixo do Pacífico, árvore canadense considerada lixo pela indústria de madeira.

A biodiversidade não proporciona apenas bens valiosos como essas moléculas, mas também serve de biblioteca fundamental para as ciências naturais. A história da ciência é pontilhada de exemplos – como antibióticos e vacinas – de enormes avanços baseados em observações casuais de organismos até então pouco conhecidos, como o mofo Penicillium, no primeiro caso, e o vírus da varíola bovina, o Vaccinia, no segundo. Os inibidores de ataques cardíacos usados por dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo para controlar a hipertensão nasceram do estudo de uma cobra venenosa no Instituto Butantan.

A natureza contribui para o bem-estar humano por meio de vários tipos de serviços prestados pelos ecossistemas. A preservação de ecossistemas das bacias hídricas é um poderoso aliado na manutenção da qualidade da água. A administração da cidade de Nova York percebeu que recuperar o meio ambiente e a vida natural nas áreas de suas fontes custaria apenas 10% do valor necessário para construir estações de tratamento da água nas regiões degradadas. O ex-prefeito de Quito Roque Sevilla chama as florestas de "fábricas de água". Os serviços prestados pelos ecossistemas incluem a prevenção de desastres. A China baniu a extração de madeira e iniciou um processo de reflorestamento apenas com o objetivo de conter as enchentes devastadoras. "Desastre natural" é muitas vezes o nome errado de acontecimento em parte ou de todo provocado pelo homem.

Estima-se que os serviços prestados pelos ecossistemas tenham um valor econômico global de 33 trilhões de dólares por ano – mais que o produto mundial econômico bruto. Não é à toa que levam o assunto a sério – embora ainda não o suficiente – os governos de vários países e agências internacionais como o Banco Mundial (cujo vice-presidente para a América Latina e o Caribe me mandou uma carta, em 1985, agradecendo por tê-lo iniciado no assunto).

A natureza está sob ataque. As florestas encolhem. A maioria das regiões pesqueiras está esgotada e superexplorada. Os Estados Unidos viram desaparecer a maior parte de suas pradarias, áreas convertidas em terras para a agricultura e que a cada ano sofrem perdas terríveis de camadas de solo. Os rejeitos agrícolas levados pelo Rio Mississippi criaram uma enorme zona morta anóxica no Golfo do México.

A Amazônia brasileira, que na época de minha primeira visita, em 1965, tinha 2 milhões de habitantes e uma única estrada, agora tem 20 milhões de habitantes, várias rodovias e taxa de desmatamento anual em torno de 1,5 milhão de hectares. Em 1997, o uso indiscriminado do fogo, técnicas agrícolas erradas e um ano extremamente seco sob o efeito El Niño produziram uma nuvem de fumaça do tamanho do Brasil inteiro. Na Mata Atlântica, o processo está muito mais avançado – menos de 10% da cobertura florestal original ainda existe, e é uma das 25 áreas internacionais de risco da diversidade biológica.

A melhor maneira de avaliar o grau de depredação do planeta é a taxa de extinção de espécies. A biodiversidade é a "soma final" do planeta; integra todas as formas pelas quais afetamos o meio ambiente. Extinção é um fenômeno natural, faz parte da evolução, no ritmo em que novas espécies expulsam outras mais antigas. A maioria dos cientistas acredita que elevamos esse ritmo a um ponto 1 000 vezes mais alto que o normal. Outra medida é o número de espécies em extinção: aves (12%), mamíferos (18%), peixes (5%) e plantas de floração (8%). A conclusão é uma só: a natureza está com graves problemas.

Não quer dizer que nada seja feito para resolver essa situação. O Brasil, por exemplo, tomou muitas providências. Um dos avanços é incentivar a criação de áreas privadas de proteção, ao lado das áreas públicas. Trabalha-se para ligar num corredor fragmentos que sobraram da Mata Atlântica. Corredores ecológicos também são planejados na Amazônia. Alguns Estados amazônicos começam a eleger administradores que compreendem que o futuro dependerá da floresta. A soma total da área sob proteção na região amazônica, envolvendo parques, estações ecológicas, reservas extrativistas (um conceito que o Brasil deu ao mundo) e áreas indígenas, passará de 40% quando se completar o projeto de acrescer 10% de área rigorosamente protegida.

Um grande desafio que todos os países enfrentam, e não apenas o Brasil, é obter uma abordagem de desenvolvimento sustentável integrada por todos os setores. Por exemplo, assim como gera a zona morta no Golfo do México, a agricultura tem sido um fator de desmatamento na Amazônia. Só recentemente os estudos de impacto ambiental de projetos de infra-estrutura começaram a ir além da avaliação de efeitos físicos imediatos para englobar também efeitos derivados. A possibilidade de algumas obras do projeto Avança Brasil levarem à destruição da Floresta Amazônica provocou grande controvérsia dois anos atrás. O caso precisa serenar antes que o projeto possa prosseguir.

Outra necessidade crítica é considerar o desenvolvimento dentro de todo um sistema ambiental vasto, como o Pantanal ou a bacia amazônica inteira. Os problemas ambientais freqüentemente se instalam sem chamar a atenção, crescendo aos poucos, cada aumento parecendo coisa razoável a seu tempo e em seu contexto. No entanto, o agregado é desastroso. Cinqüenta anos de decisões sobre o uso da água provocaram o caos no ecossistema do sul da Flórida, exigindo um esforço multibilionário para restaurar o esgotamento natural. O presidente Fernando Henrique Cardoso tomou conhecimento de que a Amazônia pode ser afetada como um todo de maneira similar ao que ocorreu na Flórida se o desenvolvimento da região prosseguir isoladamente em cada um dos países do Tratado de Cooperação Amazônica.

A mesma abordagem deve ser adotada com relação ao sistema climático do globo. O efeito estufa terá conseqüências catastróficas sobre a natureza à medida que os organismos tentarem dispersar-se em busca das condições climáticas necessárias, em ambientes altamente fragmentados. Daí, malgrado cada julgamento sobre o Protocolo de Kioto em si – cujos objetivos são na verdade modestos ante o que precisa ser feito –, as nações precisam trabalhar para reduzir suas emissões poluentes. Quanto mais se adiarem as mudanças na política de energia – e, na minha opinião, os Estados Unidos têm uma grande obrigação de tratar disso –, mais dispendioso será mudar e maiores serão as conseqüências para a natureza e as populações.

A situação grave em que está o mundo natural é problema dos mais difíceis e resistentes. É assunto para todas as nações e exige tanto iniciativas nacionais como colaboração internacional. O desafio também é totalmente ligado à condição em que as pessoas vivem, envolvendo a pobreza e a desigualdade. Vai requerer grandes lideranças, vontade política e compreensão pública. Contato com a natureza e experiência viva serão ingredientes essenciais. Nos Estados Unidos, uma das reações aos ataques de 11 de setembro de 2001 foi o grande aumento na visitação aos parques nacionais. O poder de cura da natureza em tempos conturbados é outra forma de mostrar que ela é nosso recurso final.



Thomas Lovejoy foi consultor do Banco Mundial, do Instituto
Smithsonian e é presidente do Centro H. John Heinz III
para Ciência, Economia e Meio Ambiente

Estudo diz que anestesia pode piorar dor


Pesquisadores americanos afirmaram nesta terça-feira que a anestesia, droga para o paciente não sentir dor durante uma cirurgia, pode ter o efeito contrário, causando uma dor ainda pior após a operação. Segundo o estudo publicado pelo jornal da Academia Nacional de Ciências, a anestesia estimula os nervos a causarem uma longa irritação pós-cirurgia. Para o médico Gerard Ahern, que liderou o estudo, “a escolha da anestesia pode ser determinante”.
Anestesias já sabem há algum tempo que certos remédios eficazes em fazer os pacientes ficarem inconscientes, são na verdade drogas que provocam dor. Alguns até usam remédios para aliviar as dores antes de aplicar a anestesia. Mas, a dor não costuma durar mais tempo que o efeito do remédio.

Fonte: revista veja, em 23 de Junho de 2008

domingo, 22 de junho de 2008

Mutações que causam esquizofrenia

Agência FAPESP – Pesquisadores da Universidade de Colúmbia, em Nova York, identificaram no genoma de pacientes com esquizofrenia mutações genéticas espontâneas que representam, no mínimo, 10% dos casos em que não há histórico familiar da doença.

Em artigo publicado na sexta-feira (30/5), na revista Nature Genetics, são descritas mutações específicas em indivíduos com esquizofrenia que não estão presentes nos pais biológicos que não sofrem com o transtorno. A descoberta poderá auxiliar no entendimento da prevalência de esquizofrenia nessa população, apesar das baixas taxas de fertilidade e fecundidade das pessoas com esquizofrenia.

De acordo com o estudo, indivíduos com forma não-familiar de esquizofrenia têm cerca de oito vezes mais chances de ter mutações em seus genomas do que aqueles sem a doença. Os cientistas mapearam o genoma de 152 pessoas com esquizofrenia e seus pais biológicos e, para identificar o número de mutações, compararam os resultados com o genoma de 159 outras sem esquizofrenia.

Eles encontraram mutações em 15 indivíduos com diagnóstico de esquizofrenia – tanto ganho como perda de genes –, que não estavam presentes nos cromossomos dos pais. Apenas duas mutações foram encontradas nos indivíduos sem o transtorno.

“Já conhecemos a causa de cerca de 10% dos casos esporádicos de esquizofrenia, que não é mais uma grande caixa-preta como costumava ser”, disse Maria Karayiorgou, professora de psiquiatria do Centro Médico da universidade norte-americana.

“A identificação desses genes permite saber como os caminhos do desenvolvimento cerebral podem estar envolvidos com o início da doença. Com isso, poderemos descobrir melhores maneiras de tratar esse problema devastador”, afirmou.

Uma das novas mutações encontradas em mais de uma pessoa com a doença foi uma supressão em uma região do cromossomo 2. Também foram identificadas mudanças no número de cópias em vários outros cromossomos. Em estudo anterior, os autores haviam fornecido pistas de que a perda de genes na região cromossômica 22q11.2 é responsável pela introdução de casos esporádicos de esquizofrenia.

“Tínhamos demonstrado que a região 22q11.2 está envolvida com a esquizofrenia e temos progredido na compreensão de seus mecanismos biológicos”, explica Joseph Gogos, professor de fisiologia e neurociência da Universidade de Colúmbia. “Agora, temos um novo conjunto de mutações para investigarmos. Quanto mais dados tivermos sobre a base biológica da doença, mais informações poderemos fornecer para os pacientes.”

Segundo os pesquisadores, esse tipo de pesquisa tem potencial para melhorar os tratamentos de distúrbios cerebrais e, até mesmo, contribuir para sua prevenção. Um dos objetivos é poder informar ao paciente a existência de uma mutação específica como a possível causadora biológica da doença, para adequar tratamentos individuais.

A esquizofrenia afeta aproximadamente 1% da população mundial, sendo que cerca de 40% da doença pode ser herdada e os outros 60% aparecem esporadicamente em indivíduos sem histórico familiar do problema.

O artigo Strong association of de novo copy number mutations with sporadic schizophrenia, de Maria Karayiorgou, Joseph Gogos e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em Clique aqui para acessar o site




Fonte: http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?data[id_materia_boletim]=8911

Autor(a): Agência FAPESP

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Rifa de cesta de chocolates


Foi realizado no dia 10 de Junho o sorteio de uma rifa de chocolate na Uema,promovido pela galera da biologia( o 2º periodo do curso de Ciências Biológicas).Tudo isso para arrecadar verba para essas quarto alunas acima (na foto)comparecem no 59ºcongressode Botânica.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Clonar animais extintos é possível?


Há alguns anos pesquisas vem sido realizadas no intuito de resgatar animais extintos .Recentemente pesquisadores americanos e australianos usaram tecidos do Thylacinus cynocephalus( trige-da-Tasmânia) com um século de idade para extrair trechos do DNA do bicho. Depois, inseriram esse material genético -- um regulador da formação de cartilagens -- em camundongos. Após sete décadas, o DNA dos tigres-da-tasmânia voltava a funcionar.
Para tentar ressuscitar o animal, seria preciso primeiro obter a seqüência completa de seu material genético. Depois, bastaria "contrabandear" esse pacote de DNA para o interior do óvulo de uma espécie aparentada cujo material genético foi retirado.
O passo seguinte é fundir os dois elementos e implantar o embrião resultante numa mãe de aluguel. Algum tempo depois, teríamos um bebê-tigre-da-tasmânia redivivo.
Mas não é tão simples assim.O Primeiro impasse é que as moléculas de DNA sofrem uma degradação natural quando um ser vivo morre.Assim,os tecidos mortos preservados em álcool ou formol nos museus (caso das amostras existentes de tigres-da-tasmânia, principalmente fetos e bichos empalhados), continuam sofrendo esse processo natural e com o passar do tempo, as longas seqüências de "letras" químicas A, T, C e G (são nada menos que 3 bilhões de pares delas em genomas como o humano) tendem a se despedaçar e a perder ou ganhar átomos.O mesmo vale para os animais extintos.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Ser Maranhense

Maranhense no são joão não tem quadrilha - tem bumba-meu-boi;

Maranhense quando se espanta não fala : nooossa! - fala:ééééééguuuaaas!;

Maranhense não vai pro reggae - vai pra radiola;

Maranhense não fala você - fala tu;

Maranhense não usa tiara - usa traca;

Maranhense não toma coca-cola- toma Guaraná Jesus;

Maranhense não chama atenção - é esparroso;

Não existe maranhense gay- existe maranhense qualira!;

Maranhense não é moleque -é piqueno;

Maranhense não tem filho - tem menino;

Maranhense não é convencido- só quer se amostrar;

Maranhense não fica com fome - fica brocado;

Maranhense não come - ranga;

Comida de maranhense não é jantar - é cumê;

Maranhense não fica com vergonha - fica encabulado;

Maranhense não fica zangado - fica injuriado;

Maranhense não vê nada estranho - vê algo cabuloso;

Maranhense não espia - maroca;

Maranhense não é chato - é ralado;

Maranhense não estraga a festa - azia;

Maranhense não é mão-de-vaca - é canhenga;

Maranhense não sente agonia - e sim arrilia;

Marnahense não é o próximo do futebol - é o desafiado;

Maranhense não é burro - é abestado;

Maranhense não bate- dále;

Maranhense não dá um murro - dá um bog;

Maranhense não fica intrigado - fica invocado;

Maranhense não é rápido - é zilado;

Maranhense não vai pra farra - vai pra bagaceira;

Maranhense não se apressa - cuida;

Maranhense não fala sim - fala uhum;

Maranhense não fala não - fala hum hum;

Maranhense não fala hã - fala huuum;

Maranhense não se fode- se lasca;

Maranhense não fica fudido - fica na roça;

Maranhense não imita - arremeda;

Maranhense não é feio - é uma mucura;

Maranhense não é dedo-duro - é inredão;

Maranhense não acha uma coisa muito legal - acha fudendo;

Maranhense não se manca - se toca;

Maranhense não quebra nada - escangalha;

Maranhense não é puta- é nigrinha;

Maranhense não é ruim - é fulero;

Maranhense não toma banho - banha;

Maranhense não fica quieto- se acomoda,ou se aquieta;

Maranhense não fica satisfeito - fica cheinho.

sábado, 17 de maio de 2008

Prédios da Uema


A Uema- Universidade Estadual do Maranhão é uma instituição de ensino superior, que teve sua origem na Federação das escolas Superiores do Maranhão-FESM.
A Uema é atualmente, vinculada à Gerência de Estado da Ciência,Tecnologia,Ensino Superior e Desenvolvimento Tecnólogico-GECTEC .
A UEMA é composta de mais de 36 prédios, entre os quais a maioria residem dentro do Campus Paulo VI.
Príncipios da Uema

I - Unidade de patrimônio e administração;
II - Estrutura orgânica, com base em departamentos, condenados por centros, tão amplos quanto lhes permitam as características dos respectivos campos de atividade;
III - Indissociabilidade das funções de ensino, pesquisa e extensão, vedada a duplicação de meios para fins idênticos ou equivalentes;
IV – Descentralização adimistrativa e racionalidade de organização, com plena utilização de recursos materiais e humanos;

•V- Universidade de campo, pelo cultivo das áreas fundamentais dos conhecimentos humanos estudados em si mesmos ou em função de ulteriores aplicações, e de áreas tecno-profissonais;
•VI- Flexibilidade de métodos e critérios , com vistas às diferenças individuais dos alunos, peculiaridades regionais e às possibilidades de combinação de conhecimento para novos cursos e programas de pesquisas;
•VII- Liberdade de estudo, pesquisa, ensino e extensão, permanecendo aberta a todas as correntes de pensamento, sem, contudo, participar de grupos ou movimentos partidários;
•VIII- Cooperação com instituições científicas, culturais e educacionais, públicas e privadas, nacionais e internacionais, para a consecução de seus objetivos.
Probio

quinta-feira, 20 de março de 2008

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Biologia molecular e o diagnóstico clínico

Como a biologia molecular modificou o diagnóstico clínico?
A evolução na área da biologia molecular modificou e aperfeiçoou o diagnóstico na prática médica e, ainda, é um processo que está em andamento. As técnicas como a microscopia e a sorologia, rotineiramente utilizadas no diagnóstico de diversas doenças que envolvem a pesquisa e detecção de antígenos e anticorpos específicos, além de serem limitadas e pouco específicas, não permitem uma diferenciação entre infecções prévias e recém adquiridas, dificultando o estabelecimento de cura e tratamento eficaz.
Quais foram os fundamentos que permitiram essas mudanças?
Desde a determinação da estrutura do DNA, feita por Watson e Crick, em 1953, até os dias de hoje, inúmeros avanços alavancaram a explosão de conhecimentos da biologia e genética moleculares. As técnicas de biologia molecular e DNA recombinante estão contribuindo para o aperfeiçoamento dos métodos de pesquisa de marcadores biológicos específicos para o diagnóstico das doenças infecciosas. Essas técnicas de biologia molecular têm contribuído não só para o aprimoramento de abordagens que detectam a presença do patógeno no hospedeiro ( identificação de seqüências de ácidos nucleicos específicas dos patógenos) como, também, de abordagens que indicam a exposição ao agente infeccioso neste hospedeiro (detecção de anticorpos a partir de antígenos recombinantes específicos).
Dentre as principais técnicas de biologia molecular utilizadas no diagnóstico clínico, destacam-se as técnicas de Southern-blot, Northen-blot, Western-blot além do processo de hibridização in situ, onde cortes histológicos obtidos de amostras recolhidas a partir de biópsias, autópsias ou esfregacos são hibridizados com sondas moleculares específicas. As sondas podem ser utilizadas para detecção e identificação da espécie e/ou cepa de um organismo em cultura ou amostra clínica para fins epidemiológicos e, principalmente, no diagnóstico clínico. Essas sondas de DNA espécie-específicas já vêm sendo utilizadas há alguns anos para identificação e caracterização de uma variedade de bactérias, parasitas e vírus.
Foi na última década, no entanto, que as técnicas de clonagem, de produção in vitro de DNA, a reação em cadeia da polimerase (PCR) e de seqüenciamento de material genético ficaram mais acessíveis e eficientes. O PCR, que é o método de amplificação do DNA alvo por meio de um processo enzimático que utiliza um par de oligonucleotídeos específicos ( primers ou iniciadores), é de alta sensibilidade. A técnica do PCR tem sido muito utilizada para o diagnóstico de doenças importantes com a detecção do vírus das hepatites virais, HIV, HTLV-I e II , rubéola, mononucleose, Mycoplasma.
Recentemente tem sido utilizada para a detecção de RNA mensageiro para citocinas, além de empregada em estudos de parasitas como o Plasmodium, Leishmania , Trypanosoma, Toxoplasma gondii, Giardia e outros. No caso da AIDS, o PCR vem sendo muito utilizado para monitoramento da carga viral .e resistência anti-retroviral. O advento dos recursos que a biologia molecular oferece em a nível de diagnostico clínico, está trazendo informações importantes, que, sem dúvida, serão crucias na prática médica. O projeto Genoma Humano é uma das conseqüências dessa revolução tecnológica. No entanto, essa tecnologia avançada tem que estar subordinada a princípios éticos, sem os quais a genética pode ser extremamente danosa ao indivíduo e à sociedade.
Quais seriam os principais impactos da biologia molecular no diagnóstico clínico?
Para as doenças genéticas, a classificação molecular, ou seja, baseada no defeito detectado no DNA, alterou inteiramente muitas das classificações nosológicas existentes até há poucos anos, que eram baseadas em elementos clínicos e de outros exames complementares. Dessa forma, foi possível definir, por exemplo, a ocorrência de uma doença, diferentes genes envolvidos, que é o que se denomina heterogeneidade genética. Como exemplo, temos a esclerose tuberosa, autossômica dominante, sendo identificados dois genes (TSC1 e TSC2), localizados em diferentes cromossomos; Síndrome de Bardet-Biedl, autossômica recessiva, até o momento pelo menos cinco genes localizados em diferentes cromossomos (2, 3, 11, 15 e 16);Síndrome de Leigh e outras.Em algumas doenças, existe uma boa correlação entre a alteração do DNA e o fenótipo, ou seja, a mutação encontrada é preditiva do quadro clínico. Em outras, isso não acontece, o que faz suspeitar que outros genes ou fatores ambientais interfiram com a caracterização fenotípica. Como exemplo, podemos citar a adrenoleucodistrofia, recessiva ligada ao X.
O estudo das bases genéticas de doenças de alta prevalência é bastante promissor e está apenas começando. Para algumas condições, como a doença de Alzheimer, os fundamentos genéticos já foram bem estabelecidos, enquanto que para outras, como as doenças psiquiátricas, os resultados foram até o momento pouco conclusivos. Condições como esclerose múltipla, hipertensão arterial, diabetes, hipercolesterolemia são multifatoriais, dependendo tanto de fatores ambientais como genéticos.
É interessante como genes e ambiente se inter-relacionam na geração de um determinado fenótipo, havendo uma clara associação entre hipertensão arterial e estilo de vida. Por exemplo, a freqüência de hipertensão arterial entre negros que vivem em regiões rurais da África é muito mais baixa do que entre afro-americanos que vivem em centros urbanos dos EUA.
A determinação de genes que condicionem suscetibilidade a doenças de alta prevalência tem grande relevância clínica e deve modificar a forma como hoje entendemos e tratamos essas doenças. Da mesma forma, o tratamento de muitas doenças deve ser alterado na medida em que soubermos melhor as bases genéticas que determinam a variabilidade na resposta terapêutica.
Para as neoplasias, acredita-se que cerca 10% dos casos sejam decorrentes de mutação em um único gene, podendo ser transmitidas de forma dominante de uma geração para outra. A ocorrência de mutação em um determinado gene aumentaria muito o risco de aparecimento do câncer. Entre as neoplasias que têm sua base genética mais bem estabelecida estão o retinoblastoma e os neurofibromas da neurofibromatose tipo 1. Essas doenças podem ter herança autossômica dominante ou ocorrerem de forma isolada, em conseqüência a mutação de novo. A existência de uma mutação afetando um dos alelos de determinado gene faz com que reste apenas um alelo funcionante. Se, durante a vida, existe um "acidente" genético que ocasione perda de função de uma única cópia restante, essa célula pode adquirir uma vantagem proliferativa, que vai terminar por levar a um câncer. Na maioria dos cânceres, no entanto, não basta a perda de função de um único gene; na maior parte das vezes, é necessária uma sucessão de mutações em diversos genes localizados em diferentes cromossomos. Essas mutações se dão ao longo de anos e terminam por levar a uma vantagem proliferativa a uma linhagem celular. Essa perda de mecanismos que controlam a proliferação celular é que ocasiona o câncer.
Na prática clínica, o diagnóstico das principais doenças infecciosas como HIV, hepatite B e C, HPV e outras é feito utilizando os recursos das técnicas de biologia molecular. É possível, como rotina, para alguns desses agentes, se determinar a presença de certas proteínas específicas por Western blot, detectar e quantificar material genético por PCR ou ainda obter-se a seqüência de partes do genoma do agente infeccioso em questão. O mesmo ocorreu no campo da identificação humana, em que é possível a determinação de paternidade ou a associação entre uma amostra biológica (p. ex., sangue, cabelo, etc.) e um determinado indivíduo.
Nessas duas condições, existem técnicas padronizadas e um grande número de indivíduos que, potencialmente, podem-se beneficiar desses estudos. Dessa forma, esses exames estão na rotina de muitos laboratórios. No diagnóstico de neoplasias, especialmente leucemias, diversas técnicas de biologia molecular permitem detectar rearranjos cromossômicos e mostrar pontos de quebra bem definidos. No entanto, a maior parte das neoplasias tem sua base molecular inteiramente desconhecida. O futuro nessa área é, no entanto, bastante promissor. Prevê-se que as neoplasias sejam reclassificadas, levando em conta o padrão de expressão de genes que elas apresentam. Os chamados chips de DNA (ou DNA arrays) virão facilitar, em muito, a determinação dos padrões de expressão gênica dos tumores.
Para o diagnóstico de doenças genéticas é, teoricamente, possível se buscar mutações em todo o gene que tenha sua seqüência conhecida. Na prática, existem diversos fatores complicadores. Para muitas doenças genéticas, tendo em vista a grande diversidade de mutações e a complexidade e alto custo das técnicas empregadas, a análise mutacional é somente feita em laboratórios de pesquisa.
Referências bilbiográficas:
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3)HOPKIN JM; WAKEFIELD A E. DNA Hybridization for the diagnosis of microbial disease Quartely Journal of Medicine 75:415-421,1990.
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5) SOUTHERN E.M. Detection of specfic sequencies among DNA fragments separated by gel eletrophoresis J Mol Biol 98(3):503-17, 1975.
6) BERTHOLF RL. The expanding role of molecular biology in clinical chemistry Cell Vis 5(1) :67-9,1998.
7) HODINKA RL The clinical utility if viral quantitation using molecular methods Clin Diagn Virol 10(1) : 25-47 , 1998.
8) SAIKI R.K.; GELFAND DH; STOGFFEL S; SCHRAF SJ; HIGUCHI R ; HORN GT; MULLIS KB. ERLICH HÁ Primer –directed enzymatic amplificatin of DNA with thermostable DNA polimerase Science 239 ( 4839): 487-91,1998.
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Febre amarela

Febre amarela é uma doença infecciosa causada por um tipo de vírus chamado flavivírus, cujo reservatório natural são os primatas não-humanos que habitam as florestas tropicais. Existem dois tipos de febre amarela: a silvestre, transmitida pela picada do mosquito Haemagogus , e a urbana transmitida pela picada do Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue e que foi reintroduzido no Brasil na década de 1970. Embora os vetores sejam diferentes, o vírus e a evolução da doença são absolutamente iguais. A febre amarela não é transmitida de uma pessoa para a outra. A transmissão do vírus ocorre quando o mosquito pica uma pessoa ou primata (macaco) infectados, normalmente em regiões de floresta e cerrado, e depois pica uma pessoa saudável que não tenha tomado a vacina. A forma urbana já foi erradicada. O último caso de que se tem notícia ocorreu em 1942, no Acre, mas pode acontecer novo surto se a pessoa infectada pela forma silvestre da doença retornar para áreas de cidades onde exista o mosquito da dengue que prolifera nas cercanias das residências e ataca durante o dia. SintomasOs principais sintomas da febre amarela - febre alta, mal-estar, dor de cabeça, dor muscular muito forte, cansaço, calafrios, vômito e diarréia aparecem, em geral, de três a seis dias após a picada (período de incubação). Aproximadamente metade dos casos da doença evolui bem. Os outros 15% podem apresentar, além dos já citados, sintomas graves como icterícia, hemorragias, comprometimento dos rins (anúria), fígado (hepatite e coma hepático), pulmão e problemas cardíacos que podem levar à morte. Uma vez recuperado, o paciente não apresenta seqüelas. Diagnóstico Como os sintomas da febre amarela são muito parecidos com os da dengue e da malária, o diagnóstico preciso é indispensável e deve ser confirmado por exames laboratoriais específicos, a fim de evitar o risco de epidemia em áreas urbanas, onde o vírus pode ser transmitido pelo mosquito da dengue. Tratamento Doente com febre amarela precisa de suporte hospitalar para evitar que o quadro evolua com maior gravidade. Não existem medicamentos específicos para combater a doença. Basicamente, o tratamento consiste em hidratação e uso de antitérmicos que não contenham ácido acetilsalicílico. Casos mais graves podem requerer diálise e transfusão de sangue. Vacinação Existe vacina eficaz contra a febre amarela, que deve ser renovada a cada dez anos. Nas áreas de risco, a vacinação deve ser feita a partir dos seis meses de vida. De maneira geral, a partir dos nove meses, a vacina deveria ser recomendada para as demais pessoas, uma vez que existe a possibilidade de novos surtos da doença caso uma pessoa infectada pela febre amarela silvestre retorne para regiões mais povoadas onde exista o mosquito Aedes aegypti. A vacinação é recomendada, especialmente, aos viajantes que se dirigem para localidades, como zonas de florestas e cerrados, e deve ser tomada dez dias antes da viagem para que o organismo possa produzir os anticorpos necessários.Recomendações· Vacine-se contra febre amarela pelo menos dez dias antes de viajar para áreas de risco e não se esqueça das doses de reforço que devem ser repetidas a cada dez anos; · Use, sempre que possível, calças e camisas que cubram a maior parte do corpo; · Aplique repelente sistematicamente. Não se esqueça de passá-lo também na nuca e nas orelhas. Repita a aplicação a cada quatro horas, ou a cada duas horas se tiver transpirado muito; · Não se esqueça de reaplicar o repelente toda a vez que molhar o corpo ou entrar na água; · Use mosqueteiro, quando for dormir nas áreas de risco, · Procure informar-se sobre os lugares para os quais vai viajar e consulte um médico ou os núcleos de atendimento ao viajante para esclarecimentos sobre cuidados preventivos; · Erradicar o mosquito transmissor da febre amarela é impossível, mas combater o mosquito da dengue nas cidades é uma medida de extrema importância para evitar surtos de febre amarela nas áreas urbanas. Não se descuide das normas básicas de prevenção.,
fonte:http://drauziovarella.ig.com.br/arquivo/arquivo.asp?doe_id=100

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

O CÓDIGO GENÉTICO

O código genético constitui atualmente um dos aspectos mais importantes da biologia. Sua importância se baseia, no fato de que a capacidade de "traduzir" ou "mapear" a estrutura primária de uma cadeia de polipeptídios é essencial a célula. O código genético forma os modelos hereditários dos seres vivos. É nele que está toda a informação que rege a seqüência dos aminoácidos codificada pelo encadeamento de nucleotídeos.

O código não pode ser definido apenas em termos de expressão genética. É preciso entender a sua natureza fundamental, os procedimentos e as forças que deram origem ao mesmo.
Diz-se que o código genético é redundante por existirem vários
codões que codificam o mesmo aminoácido. Este fenómeno é também apelidado de degenerescência. Afirma-se que o Código Genético é universal porque os codões têm o mesmo significado em quase todos os organismos.

Os sistemas biológicos (Seres biológicos) realizam esse procedimento de "tradução genética" de forma acurada, seguindo detalhadamente todas as etapas desse processo. Caso não fosse possível, não poderiam existir enzimas típicas nem mecanismos regulatórios refinados. Enfim, não existiriam formas pluricelulares e nem vida, tal como é definida atualmente pelos Biólogos.


A Célula

Para o enzimologista (é o ramo da Bioquímica que trata do estudo das reacções enzimáticas), a célula é um simples recipiente contendo uma solução encontrada de enzimas.

Para o fisiologista(é o ramo da biologia que estuda as múltiplas funções
mecânicas, físicas e bioquímicas nos seres vivos. De uma forma mais sintética, a fisiologia estuda o funcionamento do organismo), é uma membrana fechada com diferentes soluções em ambos os lados.

Parao geneticista ( é ramo da biologia que estuda a forma como se transmitem as características biológicas de geração para geração),é um conglomerado de fitas e leitores de fitas.